quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Gostar só ...

Não chega. Nunca é o suficiente. Podemos amar alguém como se não houvesse amanhã, podemos morrer de amor, mas se as coisas não resultam pelos mais diversos motivos (falta de compatibilidade, de confiança, feitios demasiado diferentes, etc) não adianta lutar por algo que pura e simplesmente não "funciona".

Duas pessoas podem amar-se profundamente, nutrir mutuamente um sentimento esmagador, forte, capaz de suportar tudo. Saudades, problemas, imposições, tudo. Mas, e se a certa altura começam a desentender-se, a discutir frequentemente, até por coisas sem importancia? O amor mantem-se, mas e o bem-estar? Acaba, foge.

Ás tantas, começa a ser insuportável, pesado. E o que devemos fazer? De um lado está a pessoa que amamos do fundo do coração, mas do outro está o nosso bem-estar fisico (porque dói fisicamente cada corte que o nosso coração leva por mais um confronto) e psicológico.

Se a decisão final for acabar com tudo o que construimos ao longo de tanto tempo, dói, magoa, morre uma parte de nós. Se continuarmos a lutar (em vão?) sofremos também, e mais importante, fazemos sofrer.

Afinal, amar só, não chega.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Histórias ...

"Vou contar-te uma história. Era uma vez uma princesa cavaleira que tinha a mania de ser guerreira. Comandou exércitos e reconquistou territórios. Libertou mulheres presas e absolveu condenados. Teve uma vida cheia de vitórias e não lhe faltava nada, a não ser um grande amor. Quando o descobriu, a princesa temerária montou outra vez no cavalo e foi atrás dele. E ele assustou-se porque percebeu que ela era indomável como as forças misteriosas da natureza que fazem tremer a terra e varrem as praias. Cansada de correr, a princesa voltou para o castelo e subiu à torre, onde ainda hoje sonha que ele a venha buscar.

- Não se pode correr atrás dos homens, eles não gostam. Percebeu ela, depois de muito tempo. Assim, deixou-se ficar na torre, que transformou num farol, para que ele não se perdesse no caminho quando a quisesse encontrar. De vez em quando vejo-a a mandar sinais de fumo em forma de mensagens; mapas em forma de olhares; setas em forma de sentimentos. Vejo-a sossegada, mergulhada no silencio dos seus sonhos. Vejo-a sentada naquele mesmo terraço, com o mar em frente, ou o deserto, tanto faz. E ao lado dela vejo um príncepe imperfeito, mas perfeito para ela, porque a perfeição está em tudo o que se ama. A nossa perfeição nunca se vê no nosso espelho; vive nos olhos dos outros e no amor com que nos vêem.

Podes acabar a história como quiseres, tu que também tens coração de poeta e alma de escritor, embora mais ninguém a saiba ler como eu. Podes acordar amanhã e escolher o teu lugar ao sol, sentar-te no chão do teu céu e abraçar uma princesa guerreira que se rendeu sem lutas, porque o que sente por ti não cabe em nenhum dicionário e vive na força do vento, nos pingos da chuva, na rotação do planeta que faz avançar os dias. Não tenhas medo dela, nem de ti, nem do futuro, porque o presente já é o futuro e um dia desfaremos a espiral e teremos tempo para todos os silêncios."

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fui. Não sou mais.

Já vivi por amor, e quase morri pelo mesmo. Já fui criança e adulta, inocente e atrevida. Já estive no sítio mais alto, já caí no abismo. Já tive sonhos e pesadelos, já sofri e fiz sofrer. Já fui sensível e insensível. Já tive coração de pedra e chocolate, já fui fria como gelo, já chorei pela coisa mais normal. Já fui a pessoa mais feliz do Mundo, a mais infeliz e até mesmo as duas ao mesmo tempo. Já menti para salvar a pele a alguém, já pedi q mentissem por mim e depois acabei por dizer a verdade. Já ameacei cair e não me levantar mais, e no entanto nunca o fiz. Já perdi todas as forças q tinha, já encontrei razões que me fizeram continuar em frente. Já fui Tia de Cascais e mendiga de rua. Já vesti coisas caras e roupas rasgadas. Do que se pode imaginar, já vivi de tudo, mas o que eu um dia fui não voltarei a ser. O eu de antes mudou, partiu e não volta e foi isso que me fez descobrir o melhor e pior da Vida.